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Para entrar em contato com os espíritos, Chico Xavier sempre dispensou qualquer aparato. Mesmo em meio a multidão, ele conseguia se concentrar. Para isso, apoiava a cabeça na mão esquerda, deixando livre a mão direita, que preenchia páginas e mais páginas num ritmo virtiginoso. O gesto era mecânico, mas dele resultavam textos que surpreendem pela elaboração gramatical e beleza.
O médium parecia estar dormindo, entretanto, a mão continuava em ritmo frenético: durante duas, três, quatro, cinco horas, ele trabalhava, trazendo
aos olhos terrestres mensagens do outro lado da vida.Para cada mensagem, uma maneira peculiar de pegar a caneta, de redigir, de assinar o texto, em função do espírito que o estava ditando. Sem demonstrar cansaço, Chico trabalhou cerca de seis décadas, entrando madrugada a dentro,
em estado mediúnico. Por ele, esperavam centenas e até milhares de pessoas.
Ao sair do transe, Chico não sabia o que tinha escrito. Pegava as
mensagens e as lia, tendo o cuidado de colocar antes os óculos,
que havia guardado no bolso interno do paletó.Em cada mensagem, o toque pessoal do espírito que a mandou. Nomes, apelidos familiares, referências a fatos passados, que comprovam a continuidade da vida após a morte do corpo físico. Tais informações surpreendem parentes, espantam os céticos e fazem com que até católicos passem a acreditar em reencarnação
e vida após a "morte".
Sobre
o momento em que estava em transe,
Chico explicou
como se sentia:
"Escrevo num
estado semiconsciente, como se estivesse sonhando acordado.
Faço tudo mecanicamente.
Um torpor pesado,
prolongado, me invade.
O torpor é
profundo...".
Nas primeiras
vezes que recebeu psicografias, em 1928,
descreveu assim
o seu estado:
"Uma pressão
na cabeça - como se um cinto de chumbo comprimisse o cérebro
- e um peso no braço direito, como
se ele se transformasse
numa barra de ferro e fosse arrastado
por forças
poderosas".
Já em 1931, o médium reconhece não sentir mais a pressão sobre a cabeça nem o braço pesado, pois havia aprendido a não criar resistências no ato de psicografar. As mensagens chegavam a ele de várias formas. Em algumas ocasiões, copiava as páginas enviadas do outro mundo de um volume imaterial que aparecia aos seus olhos; em outras vezes, escrevia como se alguém ditasse os textos, o que fazia com que sentisse no braço a sensação de fluidos elétricos e, no cérebro, vibrações difíceis de descrever. Também acontecia do médium perder a sensação física. Nestes momentos, seu espírito saía fora do corpo, como se flutuasse.
Para avaliar o que ocorria com o médium durante os transes, o médico Elias Barbosa fez em Chico um eletroencefalograma. Sem saber a quem pertencia o exame, o neurologista paulista Juvenal Guedes avaliou o gráfico, encontrando no hemisfério esquerdo uma descarga elétrica exagerada, capaz de levar o paciente à convulsão epilética ou equivalente.
Tal possibilidade é combatida pelos estudiosos do Espiritismo, que explicaram ser o desiquilíbrio em transe como resultante da interferência de uma outra personalidade, observando que o médium, em estado normal,
apresentava um encefalograma sem alterações, além de
nunca ter sido registrado um ataque epilético em Chico.

Página desenvolvida por
João Henrique Zanotti
Vitória - ES
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