Carona - Poesia de Acostamento


"Tenho uma velha saudade
Que levo comigo por ser companheira
E que aos olhos dos outros
Parecem desgostos por ser tão caseira..."

Luiz Marenco


Carona...
É a mochila nas costas
É a falta de grana
É procurar quem se ama
É encontrar os amigos
É o polegar estendido
É ter rumo indefinido
É ver lugares novos
É estar perdido
É confiar no destino
É esperar o desconhecido
É não saber ao certo
É precisar de ajuda
E não ter ninguém por perto...

Carona...
É ver os carros passando
É saber esperar
É ver a luz de freio acender
E ter a certeza de que vai chegar...

Carona...
É o medo da noite e da chuva
É o prazer da aventura
É o medo da morte
É acreditar em Deus e na sorte...

Carona...
É um posto, um quebra-molas
Um trevo, uma encruzilhada
Uma curva, uma parada
Uma carroça, uma bicicleta, um andante
Uma lanchonete, um restaurante
São os carreteiros amigos
E a placa de papelão
Um carro, uma moto, um caminhão
É um marco em meu coração,
Um abraço, um aperto de mão...

Carona...
É a alegria de viver
É ver alguém que espera sem saber
É estar em paz consigo
É se tornar amigo repentino
É ser um estudante gaudério
É carregar um mistério
É ser bandido e perigo
É minha alma Paraná
É ter histórias pra contar,
Lembranças pra chorar
E pessoas pra amar...

Carona...
É uma lembrança criança
É não perder a esperança
É a polícia rodoviária
É uma paixão solitária
São sonhos e acidentes
Coincidências e pesadelos
São os tempos meninos
De ajudar sem interrogar
De conversar sem motivos...

Carona...
É sentir saudades
É fazer amizades
É ter a esperança de rever algum dia
É caminhar pelas rodovias
É estar só
É estar livre
É ver o mar
É querer ajudar
É rir e chorar
São sentimentos extremos
Estranhos pra se explicar...

( Alexandro Pedrotti )

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