EU PARANÁ
Entre o mate e o pinheiro
Sob as estrelas do cruzeiro
Surge um brilho da alvorada
Compondo caminho ao luzeiro
Estradeio canções e flores
A procura dos rumores
Que penso outrora semeei
Num sinete de amizades e amores
E o grande lago guarani
Lava minha'lma e me incorpora em ti
Fazendo em meus olhos vertentes
Acende e acalma as emoções que vivi
Se me aparto do santuário
Noutros campos padeço solitário
Sem o verde alento da pátria menina
Que me domina, Caingangue refaço o itinerário
E a alegria do regresso
É o canto da gralha em verso
De quem me aguarda materna
Com pinheiros de braços abertos
Retempero meu sangue xetá
Sorvendo o amargo caá
E entre os meus avios de namoro
O bálsamo da napéia está...
E quando o meu tempo expirar
Brotará da terra roxa onde eu tombar
Raiz e ramas das heranças que há em mim
Pois sou assim, eu Paraná.
( Alexandro Pedrotti )