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As cidades e as outras terras – Uma análise
sócio-lingüística-geográfica em Camilo Castelo Branco

 
Walter De Souza Lopes
Doutorando-Pesquisador

Ano passado, assistimos um filme. Era mais uma das obras de arte de Manoel de Oliveira. Em tal fita1, vimos um grupo cinematográfico percorrendo o interior da terra lusa. Tal odisséia tinha por motivo imediato procurar as origens familiares de um dos da trupe, um ator francês. Ele e seus amigos saem da cidade, e vão para o meio rural; só que tal viagem ao princípio de si não é apenas espacial, já que tem muito de temporal. Parece-nos, a nós espectadores-cúmplices, que voltamos no tempo, que estamos de volta, por exemplo, a um século atrás.2

Assim sendo, lembramos que no início do século XIX, transformações ocorrem por todos os lados da Europa; que descobertas científicas, diferentes modas, um novo homem se apresenta. Para o artista, porém, que ainda não estava pronto para as sucessivas mudanças ocorridas, só há uma forma de escapar: a evasão. Em outros termos, o Romantismo.

E, realmente, tal movimento-momento vale também para as nações que começavam a se dar conta de suas especificidades, e que consideram tal instante cronológico propício para seus desígnios histórico-geográficos. Vai daí que o nacionalismo estava na ordem do dia; era o individualismo em sua forma coletiva.

E é esse indivíduo em altas quantidades que, em uma transformação social sem igual, irá acorrer, em grandes emigrações, do campo para a cidade. E, se antigamente o campo era considerado o passado, que tinha de ser deixado para trás, com o fito de se ir para as cidades, de se encontrar o progresso finalmente atingido, agora, com a visão das hostes de miseráveis urbanos, começa a surgir a nostalgia em relação à vida no campo.

Em Portugal, onde a veia rural nunca deixou de ser forte, tal sentimento nostálgico nem por isso deixaria de existir. E seus grandes escritores românticos não tardaram a trabalhar tal temática. Mais que todos, porém, Camilo.

Camilo Castelo Branco, efetivamente, talvez por seu nascimento rural e sua educação posteriormente citadina, sempre teve em si essa dualidade de temas. Um detalhe, aliás, muito bem percebido por Antonio Houaiss quando escreve : "Coloquialismo tramontano, duriense ou minhoto, isto é, das localidades provinciais em que passou a sua formação e de onde derivou, no fundamental, sua temática."3

E, de fato, com uma linguagem chegando às vezes ao mais erudito, indo às origens da língua, outras vezes, aproximando-se saborosamente do coloquialismo, seja urbano seja provincial, Camilo, sempre escrevendo sobre o indivíduo a-histórico, nunca alçando, aparentemente, vôos mais abrangentes, acabou por alcançar o supra-sumo da pessoa humana.- Como exemplos dessa dualidade campo/cidade, trabalharemos então com seus Coração, cabeça e estômago, de 1862; Amor de salvação, de 1864; A queda dum anjo, de 1866.

Pelos anos mencionados acima, temos a época que nos é dado estudar. Época, portanto ,de transição , em que o ruralismo ainda era força importante, mas já não tanto como em anos anteriores. Afinal, já foram abolidos os direitos senhoriais, confiscados de vez os bens da Igreja e extintas as ordens religiosas. Além do campo ser tomado por novos tipos de proprietários ,os burgueses rurais.4 - Mas esses são principalmente os "brasileiros", sobre quem Camilo também muito escreveu, mas sua preferência de temas era mesmo pelos fidalgos que ,na juventude se divertem e desandam , e depois, na maturidade, se casam e se recolhem tranqüilos às suas terras.

Em Coração, cabeça e estômago , por exemplo, Silvestre da Silva , o protagonista, relata suas aventuras envolvendo seus casos amorosos, que nunca acabaram bem ( o coração) ; seus planos de casamentos por conveniência e tentativas de vida intelectual e política, onde também não logrou sucesso( a cabeça) ; e seu melhor momento, quando vê sua situação política em alta e quando casa com a filha de um outro senhor de terras , pertencendo agora a uma nova família em que se integra como a peça que faltava ( o estômago) .

As duas primeiras partes da novela transcorrem na cidade, com um pequeno intervalo no campo, durante o relacionamento de Silvestre, o narrador, com uma jovem e sofrida prostituta5. A última parte envolve o retorno do protagonista ao meio rural, onde tem uma propriedade. Na convivência com outros fazendeiros, conhece Tomásia, a filha de um deles. Uma boa campônia, em tudo e por todos os detalhes de sua vida, o protótipo da vida e do não-artificial.

A história é contada no melhor estilo camiliano, ou seja, em tom de memórias , com um apêndice final do editor.6 – Já no início, vemos o amor citadino, na figura de um comerciante que, por amor, e por estar na frente da amada, sofre fracasso econômico, mas não mostra sua face menos nobre: "Aristocratizara-o o amor: envergonhava-se ele de tais alicantinas, debaixo do olhar distraído da mulher amada.7"

A mesma amada que também o era de Silvestre, e também do padrinho-tutor, e que acabou por se casar com o último, o mais bem arranjado financeiramente falando. No que não se enganou , pois em pouco tempo ele faleceu, deixando para a "infeliz " viúva artigos de ourivesaria e títulos bancários.

O antigo comerciante ganha um prêmio na loteria espanhola, e logo se torna amado pela viúva. A ambição por ouro vindo da moça , a concupiscência do velho, o dinheiro nas mãos do algibebe, são bem o início de um desfilar de fatos e pessoas que continuariam tal itinerário até a saída de Silvestre da cidade.

Na urbe, também não poderia faltar a francesa, modista, no caso. É amada de um amigo, para quem Silvestre escreve cartas e mais cartas de amor, à francesa, à Victor Hugo: "Não me pareceu custoso fingir a língua de Vítor Hugo , sendo a semelhança julgada pela modista. Parece-me que Vitor Hugo não entenderia as minhas cartas escritas no seu idioma ; quero , porém, acreditar que a francesa não acharia mais poesia nem mais correção raciniana no poeta das Orientais."8

O amigo e ele foram se encontrar com a modista e uma amiga sua, e utilizaram o mais que puderam a linguagem do espírito. O resultado não foi mal, notando Silvestre junto a sua francesa a estultice de seu país dele, impressionável em excesso com todo o aparato Europa adentro: "País de tolos , este o nosso, tolos esquisitos que, até no amor, adoram o galicismo, ainda mesmo que, na boa linguagem francesa, ele já tenha caído em desuso por antiquado e de mau quilate."9

Falando sobre velhos ricos em Lisboa, vem a constatação de que os mesmos, conforme a classe social que ostentem, não se julgam velhos, muito pelo contrário: "Em Lisboa, só se sabe que Fulano ou Sicrano era velho, quando morre, se a lista de ‘mortalidade’ nos diz em que cemitério foi enterrado e os anos que tinha. Em Lisboa não há velho nenhum vivo."10

Assim é nas cidades, onde o ritmo de vida frenético, a vida social intensa, o desejo de se perpetuar, numa progressão infinita, faz com que tanto os homens quanto as mulheres adiem o seu momento de assumirem a maior idade que possuem às calendas.- E o que vale para a idade, não deixa de valer para os ideais românticos, que acabam por serem deixados irremediavelmente para trás.

Silvestre, por exemplo, após muitas desilusões, resolve se assumir como citadino que é, e começa por deixar , após horas no barbeiro predileto, os cabelos desmanchados. Também passa a tomar beberagens11, a fumar charutos, a passar essências raras nos olhos, para dar aparência de olheiras. O citadino tinha de seguir os padrões de sua época. E o padrão da época era o pseudo- doentio. Silvestre não tinha muito como fugir a tal fato.

É nessa fase de sexo e perversão que ele conhece Marcolina, mulher que o mundo despreza, que foi prostituída pela própria mãe. Ex-amante de barão, quando está prestes a se suicidar, Silvestre a salva. E faz ainda mais, levando-a para a província, onde outra moral a esperava.

Lá, apesar da tísica que a matava aos poucos, e dos vizinhos que se escandalizavam com a concubinagem de Silvestre, a jovem citadina aprendia a amar os rochedos e as sombras das matas. As faces até lhe ficavam tintas e a tosse às vezes cessava: o campo trazia saúde em seu bojo.

Intrinsecamente rural, ela porém chegara muito tarde ao seu "habitat " natural. Pouco depois, no outono, sua saúde desabou de vez, e Silvestre sofreu a perda da mulher que, com orgulho e saudade, ele assumiu que a amara.

Sozinho, e após altercações com o regedor municipal, resolve voltar à civilização, para mostrar seus talentos em matéria de governação pública; na cidade grande, porém, tem novas decepções, principalmente com um processo que um milionário janota lhe move por conta de uma denúncia de sedução feita por Silvestre. Ainda que com razão, pois toda a sociedade portuelense conhece a esposa e a donzela seduzidas, Silvestre é quem é processado e quase preso por conta de suas ações denunciatórias.

Decepcionado, Silvestre sai de vez da cidade. No campo, até suas palavras vão se transformando, adquirindo substância , deixando de ser apenas elegantes:"Antes sair com as mãos feridas do arroteamento de carrascais e silvados que ver abafados os renevos entre o mato. Notem já que a minha linguagem vai adquirindo um corpo e cor e uma certa consistência que não tinha."12

Por fim, já tendo conhecido Tomásia, ouve-lhe frases que nunca ouvira na metrópole. Por exemplo, sobre o costume citadino de negar a idade, Tomásia a um comentário de Silvestre chamando-a de "menina ", ela do alto de seus 26 anos de pronto respondeu, meio injuriada: "Menina! Eu sou mulher, não sou menina! "13. Sobre o amor, o narrador-protagonista explica que inventou-o o estragamento dos bons costumes gregos e romanos, como coisa necessária e acirrante aos paladares botos dos filhos viciosos das cidades, afinal, "nas aldeias não se diz ‘ama’ ; mas sim ‘querem-se ‘ ".14

No fundo, Silvestre sempre fôra um campônio, tendo em si toda a moral vigente do local. Chegando da cidade, com dificuldade, assumiu o que era. E quando encontrou a mulher típica do lugar, com todos os tiques próprios do mesmo, nada mais teria a fazer a não ser casar com ela, e serem felizes. Da melhor maneira campesina possível.

E é assim a relação cidade e campo, na obra camiliana. - Desde Virgílio, denunciando o êxodo dos camponeses em direção à Roma, o problema perpassa as comunidades envolvidas. A necessidade de trabalho, as maiores comodidades, o lazer citadino, em comparação com a calmaria, as relações conflituosas com os senhores rurais, sempre falou muito fortes. Colbert, em tempos já franceses, nutria a mesma preocupação: "Que o rei favoreça através de boas instituições, por vantagens particulares, a sorte dos cultivadores que são os pais nutridores do reino, mas que se transformam em perigosos quando abandonam os campos para irem a Paris trocar suas bestas pelo martelo do operário."15

Em Amor de salvação , encontramos duas amadas, uma , a salvacionista, representada por uma jovem do meio rural,a outra, a perdida , personificada pela mulher da cidade. O protagonista é Afonso de Teive que ,se em toda sua vida fôra um citadino, não logra nenhuma felicidade duradoura com esse procedimento ; após a mudança sofrida pelo personagem, a felicidade surge, ainda que de uma forma um tanto estranha: com um cacho de filhos, acabado fisicamente, com a esposa de excessivo peso e rudes modos .

A história começa mostrando o tédio do narrador urbano, durante as festas natalinas. Vai para o campo, e pernoita na casa de um gordo homem, com chinelas aldeãs. Percebendo que conhece o aparentemente desconhecido anfitrião , que fôra um antigo companheiro de juventude, um exilado das cidades, ouve-lhe : " A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em dezembro, bouças e montados.... Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia."16

Mostrando a sua casa, Afonso ressalva-a em seu aspecto rural-patriótico . A própria barba não escanhoada já é prenúncio de seu novo ser , puro, aristocrático. O mesmo, valendo para a decoração, a linguagem: " A decoração diz com as minhas barbas! Aqui é tudo português. Até a linguagem é portuguesa de lei: olha que estou falando vernacularmente, meu amigo. Há catorze anos que tu me convidavas urbanamente a não insultar os Lucenas e os Sousas com as minhas francesias."17

Em seu contraponto local, o narrador descreve como a senhora rural veste-se, ao contrário da citadina, sem elegância excessiva, que o seu semblante é doce, que é boa por natureza e sem quaisquer dissimulações18. Também fala do estômago, onde as diferenças cidade e meio rural são espicaçadas pelo olhar diferencial daquele que passou pelos dois mundos: "A aldeia dispensa ao espírito investigador um curso completo de ciências. A poesia do estômago, esta mais que toda poesia humanitária, não se dá nas cidades; lá come-se materialmente, aqui dá-se ao espírito a presidência em todas as matérias assimiláveis."19

Mas é nas materialistas cidades que percebemos como elas parecem elas mesmas, feitas de criaturas vivas e de coisas inanimadas, uma própria figura humana, com todos os movimentos e leis da vida. O fracasso surge, mas é logo esquecido. Nas cidades, ao contrário das pequenas províncias, a miséria, a ruína, a desgraça, são logo esquecidas, pela própria atividade elétrica, contínua , do ser cidade. Os indivíduos ali não existem, são apenas células solitárias ( e livres) de um enorme organismo chamado coletividade urbana.20

Para contrabalançar os exilados da cidade, temos também o exílio de alguém do campo. No caso presente, Calisto Eloy de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, senhor poderoso na aldeia de Caçarelhos, termo de Miranda, contrário até então às cidades modernas e seus totens, agora um defensor das mesmas e dos seus ideais renovadores.

Em A queda dum anjo , que principia com o protagonista já na casa dos cinqüenta anos, acompanhamos as suas lembranças, chegando até os bancos escolares, onde ele então estuda num colégio de padres, aprendendo latim corretamente, quando seu apegar aos valores vetustos seria o mais natural dos caminhos, e dos quais não haveria quaisquer desvios.21

Às instâncias da mãe viúva, renuncia à carreira das Letras,entregando-se porém vorazmente à leitura das obras dos cronistas e historiadores antigos, os que entendiam o verdadeiro valor da língua pátria, sem esquecer de casar com uma prima, boa de casa ruim de juízo outro.

Por partido político, escolhera facilmente o de ânimo mais conservador; era em si,em suma, como se daria a conhecer, um Quixote e um Sancho Pança. O primeiro representando a província, a aristocracia pura, enfraquecida ao contato com a cada vez mais forte burguesia, Sacho Pança por natureza, a felicidade terrena. Quixote como sinônimo de anjo. Anjo caído, no sentido de Sancho Pança.

Após ter aceitado presidir o município, tem altercações com a câmara e renuncia. Tempos depois, é escolhido como representante às Cortes. Em Lisboa, as desavenças entre o campônio letrado e a cidade real se chocam. Lugares antigos que seriam a quintessência de qualquer arqueólogo competente não se mostram como tal; águas "antigas e medicinais" quase o matam. E as mulheres que deveriam ter o rosto mimoso e natural, só se as viam sardentas e crespas de pele.22 A mesma crítica é colocada em relação ao grande teatro São Carlos: "Não vades pedir ao lavrador quebrado de trabalho os ratinhados cobres das suas economias, para regalos da capital, enquanto ele se priva do aprezigo de uma sardinha, porque não tem uma pogéia com que comprá-la."23

E assim vai até conhecer Ifigênia, viúva de um afastado parente, morto no Brasil. A partir de quando vão morar juntos, em uma casa decorada requintadamente com móveis franceses, ocorrem mais e mais transformações. Renega a esposa ; se torna politicamente um liberal ; em suma: " A minha vinda para Lisboa foi o ressurgimento da vida, sepultada antes de haver consciência de si. Achei-me entre homens, aquecidos à luz deste século."24

Ainda com um recado de Camilo ressoando em nossos ouvidos25, voltamos a este século, sentimos na procura do telemaquiano personagem pelas suas origens a nossa própria busca pelas nossas.26 E se ele, ao tentar, em francês, conversar com sua velha tia monoglota, acaba conseguindo se comunicar, com ambos chorando ao recordar a fuga do pai do rapaz, anos atrás, também nós conseguiremos dialogar com nosso passado rural e nosso irremediavelmente futuro citadino.27


Notas

1. OLIVEIRA, Manoel de. Viagem ao princípio do mundo. Port/Fra, 1996. Com Marcello Mastroianni, Jean-Yves Gautier, Leonor Silveira.

2. Essa contraposição cidade/campo é típica nos escritos portugueses ( e até quando apenas se baseiam neles, como por exemplo Antonio Tabucchi, e o filme baseado em seu livro: Réquiem, dirigido por Alain Tanner). Pensamos principalmente no rural Terras do demo, de Aquilino Ribeiro; no citadino "O sentimento dum ocidental", de Cesário Verde.

3. HOUAISS, Antonio. Camilo Castelo Branco. In: BRANCO, Camilo Castelo. Amor de perdição. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1969, p. 21

4. SARAIVA, Antonio José & LOPES, Óscar. História da literatura portuguesa. 12.ed.Porto: Porto Ed., 1982, p. 719

5. Que, ao contrário das personagens femininas tolstoianas ou dostoievskianas, quase se salva, não pelo sofrimento, mas por entrar em contato com o meio rural.

6. José Edil de Lima Alves ( A paródia na construção da novela-folhetim camiliana. Rio de Janeiro: UFRJ, Fac. de Letras, 1980, p. 46) chega a afirmar que em quase todas as obras de Camilo, ele tem esse proceder. O mais das vezes, para tecer considerações sobre o fazer literário, seu e/ ou de outros, patrícios ou estrangeiros. ( Como, por exemplo, sobre a escola romântica – cf. Alves, J.E.de L., op. cit., p. 48)

7. BRANCO, Camilo Castelo. Coração, cabeça e estômago. Sintra: Europa-América, s.d., p. 21

8. Ibidem, p. 36

9. Ibid., p. 38

10. Ibid., p. 39

11. Entre muitas notas de pé de página o autor faz uma ressalva a respeito da palavra 'bêbado ' . "Bêbado "é o homem que se embebeda na taverna. Ao bebedor que se embriaga nos cafés e nas salas, a não se lhe dar nome de 'espirituoso', também não deve chamar-se 'bêbado ' ( Branco, C. C., op. cit., p. 73)

12. Ibid., p. 141

13. Ibid., p. 151

14. Ibid., p. 160

15. COLBERT Apud MENDRAS, Henri. Sociedades camponesas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978, p. 164

16. BRANCO, Camilo Castelo. Amor de salvação. São Paulo: Saraiva, s.d., p. 1

17. Ibidem, p. 16

18. E isso, sem nunca esquecer que, se quando órfã Teodora era toda inocência rural, após casar-se com Eleutério Romão, esse Bovary luso, logo transformou-se em uma poderosa citadina Palmira. Com tudo que isso queira dizer, como por exemplo na linguagem por ela utilizada, em uma carta para seu amante Afonso, que faz com que o mesmo interrompa a leitura da carta para tecer consideraçõs a respeito de autorias masculinas ou femininas, número exato de escritores em uma só escritora, motivos intrínsecos, além do que aparentemente parecia ser. ( BRANCO, C.C., op. cit., p. 73)

19. Ibidem, p. 18

20. LINS, Álvaro. História literária de Eça de Queiroz. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1965, p. 42

21. Ou aí estaria já a causa das mudanças posteriores, posto que o seu verdadeiro "eu" estaria aí já sendo impedido de se mostrar como realmente era ( Algo parecido aconteceu com o eciano Padre Amaro). – Fato que o velho Machado já percebera quando escreveu que o menino era o pai do homem.

22. Novidades que a Jacinto ( do eciano As cidades e as serras) por certo não desgostaria.

23. BRANCO, Camilo Castelo. A queda dum anjo. Rio de Janeiro: Livr. Cultural, s.d., p. 33

24. Ibidem, p. 131

25. "Calisto Elói, barão, com prima nova, dois filhos, deixa de ser um dos últimos a lutarem contra o sistema, para ser mais um homem comum, um anjo caído. Deixá-lo ser feliz: deixá-lo, Calisto Elói, aquele santo homem lá das serras, o anjo do fragmento paradisíaco de Portugal velho, caiu." ( BRANCO, C.C., op. cit., p. 188)

26. A respeito, seria interessante ver o belo filme produzido pelo português Paulo Branco e dirigido pelo chileno Raoul Ruiz, O tempo redescoberto, adaptação que encantaria o próprio Proust. Principalmente, a parte que mostra os personagens, pós primeira guerra, em particular, a decadência de Charlus.

27. No caso português, lembramos imediatamente do Céu de Lisboa, de Wim Wenders ( quando conhecemos o celestial Madredeus), e de Páginas da revolução/ Sostiene Pereira/, de Roberto Faenza (quando reverenciamos a voz magnífica de Dulce Pontes).