|
clique para imprimir este documento
ASTROLATRIA E ASTROLOGIA EM PORTUGAL NOS SÉCULOS XVII E XVIII
Maria Helena Diniz de Teves Costa Ureña Prieto
Professora-Catedrática Jubilada da Faculdade de Letras de Lisboa Nos Reservados da Biblioteca Nacional de Lisboa existe uma obra curiosa que documenta aspectos da mentalidade portuguesa dos finais do séc. XVII e inícios do séc. XVIII, assim como a influência da cultura clássica greco-latina. Trata-se de um manuscrito inédito em seis volumes (códices alcobacenses 322 a 327), intitulado: ou Diccionario Fabuloso para lição dos modernos. É seu autor João Barbosa de Araújo que nasceu em Alcobaça em 1675. São estas as informações do frontispício da obra e da notícia registada por Diogo Barbosa Machado na sua Biblioteca Lusitana, Tomo IV, 1769. Lembremos, nas suas linhas gerais, as origens da tradição astrolátrica e astrológica que o Dicionário Fabuloso utiliza para nos comunicar noções sobre mitologia e sobre ficções que de uma maneira geral denomina de "fábula". A astrolatria e a astrologia, que está em conexão com a primeira, são aspectos da interpretação da mitologia que nos legou a Antiguidade, além de outras como o evemerismo e a interpretação alegórica1. Uma interpretação tradicional da mitologia que Seznec2 denomina Tradition Physique é aquela que consiste em divinizar os astros. A nomenclatura dos astros com os nomes de entidades mitológicas favoreceu a crença de que estes eram divindades. Cícero, no De Natura deorum (II, 15), escrevera: "Tribuenda est sideribus... divinitas". Na época de Cícero (séc. I a. C.) a identificação dos deuses com os astros designados pelos seus nomes já estava difundida. Deve observar-se, no entanto, que esta identificação, completa no fim da Antiguidade, se fez gradualmente. Começou em Homero com o nome de algumas constelações e no séc. V um grande número de constelações já é denominada com nomes míticos. No IV séc. a. C. surge o tratado de Eudoxo de Cnido, obra científica que, no entanto, difunde a astrolatria com o seu vocabulário mitológico. No séc. III a. C., o poema de Arato segue na mesma esteira. Arato de Solos, na Cilícia (315 - 240/239 a. C.), publica o poema astronómico Phaenomena, que é a versificação do tratado de Eudoxo acima citado. Calímaco, o grande poeta alexandrino, dedicou versos cheios de louvor a Arato (Ep., 460). O poeta de Solos converteu-se em discípulo do poeta e erudito Menécrates, natural de Éfeso, pátria de Zenódoto, o célebre bibliotecário de Alexandria3 . Arato é citado pelo nosso mitógrafo. Este poema astronómico foi traduzido para o latim por Cícero e por César Germânico, filho de Druso e neto de Octávia (morto em 19 d. C.). O nosso erudito do sec. XIX, José Vicente Gomes de Moura4 indica, entre as edições antigas das traduções dos Phaenomena a seguinte: Rufo Festo Avieno, Germanico Caesare, Paris, 1559. Cronologicamente, a Arato segue-se Eratóstenes (284 - 204) cuja obra dá o remate da evolução: cada uma das constelações recebe uma significação mitológica e os próprios signos do Zodíaco são relacionados com os mitos. O Leão é o que Héracles matou em Némea; o Touro foi o que raptou Europa, etc. Deste modo a astronomia e a mitologia passam a estar confundidas: Higino, por exemplo, é astrónomo e mitógrafo ao mesmo tempo. As Fabulae são atribuídas a Julius Higinus, que se não deve confundir com o liberto de Augusto, erudito bibliotecário da Biblioteca de Apolo no Palatino. "Segundo hipótese de Rose, a obra seria da época dos Antoninos".5 A bibliografia, contudo, alimenta essa confusão. Pierre Grimal observa acerca das Fabulae de Higino6 : "Contém, classificadas por categorias, as versões mais aberrantes das lendas clássicas. A colectânea apresenta lacunas e revela sob certos aspectos a ignorância do autor, mas tem o mérito de conservar o enredo de peças perdidas dos grandes trágicos gregos, o que torna possível seguir a evolução do tema lendário, distinguindo-o dos acessórios literários." Observa também: "O texto de Higino é lacunoso, os nomes próprios estão mutilados, as contradições e até os absurdos não faltam." Às Fabulae há que acrescentar outra obra: Astronomia poética. Ora este autor figura na bibliografia de João Barbosa de Araújo. Não indica o mitógrafo, como é costume, de que edição se serviu. De Higino e de Arato há edições conjuntas com outros autores que se dedicaram à astronomia, alguns dos quais também são citados pelo nosso mitógrafo (Paléfato, autor grego do IV séc. a. C., e Fulgêncio, autor latino do V séc. d. C). Registamos duas edições que nos parecem mais informativas e que poderiam ter sido compulsadas por João Barbosa de Araújo: a edição de Basileia, apud Ioan. Hervagium, 1535, e a de Lugdunum (Lião de França), apud Joannem De Gabiano, 1608. Entretanto, na época de Higino e já antes, introduziram-se na astronomia greco-latina, noções e designações de mitologia egípcia e caldaica. A partir do fim da República Romana, os astros não são apenas considerados sob o patrocínio deste ou daquele deus, mas são designados pelos próprios nomes dos deuses e identificam-se com cada uma das divindades. Nos últimos séculos do paganismo, a divindade dos astros afirma-se sem contestação, sob o influxo das crenças orientais, e a astrolatria como a astrologia dominam as mentalidades. O cristianismo combate, em princípio, a astrologia porque esta acarreta uma negação do livre arbítrio. Lactâncio (De Div. Inst.) e S. Agostinho (Civ. Dei), entre outros, fazem notar que é um crime deificar o mundo físico e adorar a criação em vez do Criador e acrescentam que a crença no poder dos astros conduz ao fatalismo. Mesmo os cristãos, contudo, fizeram muitas concessões à astrologia: uns admitem a influência dos astros, embora sem carácter fatal; outros consideram-nos demónios, sujeitos ao poder de Deus, etc. A Idade Média e o Renascimento presenciaram um grande surto da astrologia. Grandes príncipes e até bispos e papas tomam astrólogos como conselheiros. Na decoração do Vaticano, o Zodíaco, as constelações, os planetas desempenharam um papel notável. A Medicina rege-se, nas suas intervenções junto dos doentes, pela marcha dos astros. Marsílio Ficino e Paracelso afirmam que o médico tem de relacionar o microcosmo com o macrocosmo7 . Copérnico e Galileu ultrapassaram a concepção astrológica do mundo e libertaram a ciência da magia, separando astronomia e astrologia, mas, fora dos círculos científicos, o assunto continua actual. Na nossa época até há jornais que publicam regularmente horóscopos e na Televisão os astrólogos são, por vezes, chamados a pronunciar-se. Não é de admirar, pois, que João Barbosa de Araújo, nos fins do séc. XVII e inícios do séc. XVIII, embora lembrando a condenação da Igreja e afirmando que considera a astrologia coisa "fabulosa", registe, após o nome de cada planeta, a correlação e a interdependência de todas as partes do cosmo. Além disso, lembra, a propósito de cada planeta, as relações quiromânticas (adivinhação pelas linhas da mão) com a astrologia, seguindo a doutrina do Padre Ignácio Vieira a cuja Chiromancia se refere inúmeras vezes8 e citando astrólogos de nomeada como Cardano, também referido por I. Vieira. Jerónimo Cardan ou Cardano é um italiano, filósofo, médico e matemático que nasceu em Pavia em 1501 e morreu em Roma em 1576. Tornou-se muito conhecido na Europa como médico, mas entregou-se também à astrologia, à cabala, à teosofia e à magia. Publicou numerosas obras (cerca de duzentas e vinte e duas) sobre astrologia, medicina, matemática, etc. As suas doutrinas sobre quiromancia foram as que interessaram I. Vieira e, por intermédio deste, João Barbosa de Araújo. Vejamos, como exemplo das suas digressões, segundo a ordem dos planetas no sistema planetário, o primeiro planeta, Mercúrio, e o que diz o mitógrafo sobre as influências e relações deste com o homem. No códice n.º 325, fol. 1 072 e segs., escreve acerca de Mercúrio (depois de uma longa relação dos vários Mercúrios e extensas considerações sobre o seu mito): "He Mercurio planeta, que influe conforme a boa companhia com que se junta; sendo por esta rezão huas vezes masculino e outras feminino; e outras duplica os influxos; de sorte que juntando-se cõ o Sol resulta influencia como de dous Sóes. Domina no 6º mês da concepção; e às crianças compõem os olhos, ouvidos, e narizes. Do corpo humano domina nos pés. Domina na segunda idade da puericia, dos 4 athe os 14 annos. Domina na parte Septentrional, ou 6º clyma. Domina nos Letrados, Escrivães, Cantores, Pintores, e em todos os que tratão couzas subtiz, em que entrão Ladroes, e Mercadores. Influe dezejos de saber. Os da natureza de Mercurio são de mediocre estatura; cabellos compridos, e torcidos nas pontas; rosto comprido (ou entre comprido, e redondo), pouco carnozo, cor morena: testa larga, e levantada, (ou entre larga e estreita), olhos medianos, pouco pretos e profundos; sobrancelhas miudas, e pouco arqueadas: nariz afilado, e igual: beiços delgados (outros dizem que carnozos e robicundos), dentes mal postos; ou os superiores raros, e desiguaes; e os inferiores compostos e unidos: barba redonda, assignalada no meio; cõ pouco cabello, e preto; os dedos das mãons compridos. Os Mercuriaes são de natureza temperados, mas com facilidade recebem intenção de qualidades estranhas: são de habilidade para todas as artes; sabios, especulativos, amigos das sciencias, e aptos para ellas; velozes, deligentes; na conversação divertidos, promptos: promptos na execução das paxoens do animo; na distribuição da justiça rigorosos; mas com os desvalidos benignos: amaõ as perigrinaçoes, e astucias. Finalmente, quando se louva hu sujeito de engenhozo, etc. se diz ser Mercurial. Enquanto aos Chiromantas, sigamos a opinião de João ab Indagine, que dá a Mercurio o monte ao pé do dedo minimo, posto que Cardan e Alchind. lhe dem o triangulo. Os que tiverem a natureza de Mercurio, serão fleumaticos; e alegres cõ os alegres; mas cuidado cõ elles, pella sua inconstancia. Se o monte de Mercurio for alto, e cheyo de linhas, significa má inclinação: se for talhado cõ muitas linhas, significa infermidade na cabeça. Se as linhas forem bem expressas, indicaõ eloquencia, grande memoria, dezejo de saber couzas profundas, e ser pessoa de segredo. Sendo direitas e bem expressas, denotaõ fortuna no contratos, e letras: e se forem escuras, denotaraõ leviandades, roubos, mentiras, inconstancias, atrevimentos, doudices, pouca estimaçaõ, amancebamentos; e promptidão para feitiços. Se as linhas forem embaraçadas, dizem que será ladraõ. Se sahirem linhas do dedo minimo, tantas forem, tantas feridas significaõ nas pernas. Linhas da restricta para o monte denotaõ que servirão cõ felicidade aos Princepes. Linhas direitas no monte significaõ filhos. Se forem atraveçadas para as costas da mão, cazamentos; e se estas forem cruzadas cõ outras, a mulher não levará bençaoñs. Quantas linhas houver no monte de Mercurio entre a linha mensal e o dedo minimo, ou auricular, tantas vezes cazará, ou haverá amancebamentos; ou os intentará. Se hua linha correr do monte de Mercurio para o do Sol, significa que se desposará, mas não chegará a cazar: e se hua linha correr do monte da Lua para o de Mercurio, he sinal de captiveiro ou perigo disso. Tantos pontos vermelhos, ou pretos, houver no monte de Mercurio, tantos amantes significão. Se houver hua crux no tal monte, denota riquezas. Triangulo, ou quadrângulo, herança de mercador. A letra D no monte de Mercurio significa inimizades. Para se saber, em que idade succederão estas couzas, se medirão tres compaços desde a linha Mensal athe a raiz do dedo minimo; e por cada hum se côntem 20 annos. No dedo que corresponde ao monte de Mercurio, chamado Auricular, ou Minimo, vulgò meminho, se defronte dele houver hua forquilha, denota infirmidade vergonhoza. Se hua linha atraveçar o dedo pella sua raiz, significa que o sujeito será clérigo. Tantas houver entre a primeira e a 2ª junta do dedo pela parte interior delle, tanto filhos terá, e se as linhas forem delgadas, serão filhas. Linhas direitas entre a 2ª e 3ª junta, bem claras, significaõ filhos, e se as linhas forem tortas, serão filhas (e se as filhas forem como as linhas, serão geitozas). Se hua linha corta a primeira ou a ultima junta, indica ferida nas costas, ou dor de rins. Triangulo em qualquer junta, he sinal de trabalhos, e pobreza. Pontos fundos no dito dedo significaõ deleytes e amores, mas será contemplativo e aplicado às letras. Se houver manchas na unha do minimo significaõ honras. A linha de Mercurio na testa não tem significaçaõ, como se diz verbò Planetas. Para intelegencia do sobredito veja-se verbò Buenadicha." Além de tratar extensamente dos outros planetas do sistema solar então conhecidos (considerações que nos abstemos de transcrever devido à sua extensão), para completar as noções sobre o sistema planetário e sobre a dependência do microcosmo em relação ao macrocosmo, João Barbosa de Araújo consagra uma entrada à palavra Planetas onde reune as noções que não regista na entrada correspondente a cada um deles. Vejamos o que nos quer comunicar acerca da doutrina dos seus contemporâneos sobre o assunto: "Planetas - eram adorados dos Peruanos (Vossio, d. Theolog. gentil. l. 2. c. 36). São 7 astros errantes: seus nomes, Saturno, Jupiter, Marte, Sol, Venus, Mercurio, Lua (...) ). Do corpo humano se attribue a Saturno o braço, a Jupiter o figado, a Marte o sangue, ao Sol a cabeça, a Venus os rins e o semen genital, a Mercurio a lingua e boca, à Lua o estomago (Revisio, Officin. l. 2. c. 1). Conforme os Physicos, Saturno comunica o humor, Jupiter o dezejo, Marte o sangue, o Sol o espirito, Venus os apetites, Mercurio o engenho, a Lua o corpo (Servio a Virgil. 11, vº. 51). Os Metoposcopos (parentes dos Chiromantas) acomodaõ a cada planeta hua das linhas que na testa se divizaõ, a saber, à linha mais chegada à raiz do cabello, que atravessa a testa segundo a longitude, chamaõ linha de Saturno; à que se segue abaixo de Jupiter; à seguinte, de Marte; à outra, solar; a de Venus, Mercurio e Lua, vem a ficar entre as sobrancelhas e o nariz; estas correm debaixo para sima (Scarlat, apud Abreu, Portugal Medico, pg. 339, nº 189). Quem tiver mais, ou menos, faça a repartição como lhe parecer. Os Chiromanthas assignaõ hu monte na mão a cada planeta, como se diz no lugar de cada hum, com o mais." Verificamos o que já sabíamos, isto é, que na época de João Barbosa de Araújo ainda não tinham sido descobertos os últimos três planetas que se conhecem hoje no sistema solar (Úrano, Neptuno e Plutão). A respeito do Sol, depois de uma longa exposição sobre o seu mito nos vários povos da Antiguidade, o nosso mitógrafo acrescenta: "Na ordem dos planetas, emquanto a nós, he o Sol o 4º: maior que a terra cento e sessenta e seis vezes, e tres oitavos. A grossura do seu Ceo he de 113 074 leguas. Cumpre seu curso em 365 dias, 5 horas 49 minutos e 16 segundos (Avelar, Reportorio, trat. ttº 23) ou 48 minutos e 45 segundos (Vieira, astron. p.e 3, c. 5). A este planeta ou ao seu orbe, assiste a musa Melpomene. Electra, huma das Pleiades, he a alma da sua esfera. Tem no Ceo duas portas, huã para o Oriente, por onde sae; outra para o Ocidente, por onde se recolhe. Tem sua Caza no signo de Leo. Seu dia, o Domingo; sua noute, a de quarta feira". Depois de extensa digressão sobre as "Horas plnetárias" conforme os dias da semana, de acordo com as concepções astronómicas ptolemaicas, passa à astrologia. E ficamos a saber que João Barbosa de Araújo, a pesar da vastíssima bibliografia consultada e citada, desconhece as descobertas de Copérnico (1473 - 1543), isto é, o heliocentrismo e o facto de o Sol não ser um planeta. Ele segue o sistema de Ptolomeu, imaginando a Terra o centro do universo e os planetas conhecidos, juntamente com o Sol, a girar em torno da Terra. Os "Sete céus" dos planetas envolvem a Terra, com o Sol em 4º lugar, como o situa o nosso mitógrafo. Ignorava, portanto, Copérnico, como ficou dito, e Galileu (1564 - 1642) ou não os nomeava por respeito pela Inquisição que condenara as teorias de Copérnico e forçara Galileu (1632) a abjurar? Não sabemos. O mais provável é que a livraria de que dispunha não estivesse actualizada em astronomia, por motivos óbvios, relacionados com a Inquisição9 . Sendo o Sol assimilado aos planetas, é interessanteque ele se refira à influência sobre o homem que, como os outros planetas, possui segundo a astrolatria e a quiromancia. No meio de densas páginas dedicadas à mitologia do Sol (seus nomes, deuses que a ele se assimilam nos diversos povos, sua genealogia, seus casamentos e prole), o mitógrafo regista as relações entre o macrocosmo e o microcosmo (fol. 1490, cód. 327): "do corpo humano he consagrada ao Sol a cabeça e nella domina: como tãobem no cerebro, coraçaõ, estamago e dedo anular." Mas não são só os planetas nem o sol, considerado um deles, que, segundo a astrologia e quiromancia, exercem ação sobre os seres humanos. Também os signos do Zodíaco têm importância sob este aspecto. Na entrada Signos enumera os doze signos. Refere, em seguida, as outras constelações conhecidas pelos antigos e sobre as quais estes "fabulizaram" e indica que trata de cada signo e cada uma das outras constelações no lugar devido, a propósito do respectivo nome. O que fica registado, em exposição muito resumida, exemplifica como o Dicionário Fabuloso de João Barbosa de Araújo se pode considerar um momento curioso das crenças e concepções astrolátricas e astrológicas que desde os Caldeus e Babilónios, passando pela Antiguidade greco-latina e pela Idade Média ocidental e oriental (árabe), chegaram até nós e sobrevivem nos horóscopos e sessões astrológicas dos meios de comunicação do nosso tempo10 . Notas 1. Publicámos estudos sobre as diversas interpretações da mitologia em várias revistas; Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, em 1998; nas Actas do Congresso da Associação Portuguesa de estudos Clássicos, realizado em Coimbra em 1998. 2. Jean Seznec, La Survivance des Dieux Antiques, Paris, Flammarion, 1993, p. 49 e ss. 3. R. Pfeiffer, History of Classical Scholarship. From the Beginnings to the End of the Hellenistic Age, I, Oxford University Press, 1968 (trad. esp., Madrid, Gredos, 1981, p. 175). 4. Notícia Succinta dos Monumentos da Língua Latina e dos Subsídios Necessários para o Estudo da Mesma, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1823, pp. 100 e 101. 5. Pierre Grimal, Introdução ao Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Lisboa, Difel, 21995 (Versão portuguesa dirigida por Victor João Vieira Jabouille). 6. Id., ibd. 7. Já tivemos ocasião de falar da influência da Astrologia nas sociedades europeias, portuguesa sobretudo, numa Comunicação apresentada ao V Congresso da A. I. L., intitulada: : "João Barbosa de Araújo, um mitógrafo português dos sécs. XVII - XVIII: a presença das ciências ocultas na sua obra." Nessa Comunicação estudámos apenas a bibliografia portuguesa do mitógrafo. Ver o importante trabalho de J. V. de Pina Martins, aí citado: Humanisme et Renaissance de l'Italie au Portugal. Les deux Regards de Janus. Lisbonne, Paris, Fondation Calouste Gulbenkian, 1989. 8. Esclarecemos que a citada Chiromancia é o manuscrito alcobacense n.º 4 324 em cuja redacção João Barbosa de Araújo provavelmente colaborou, tendo assistido às lições sobre quiromancia que I. Vieira proferiu no Colégio de S. Antão em 1712. Sobre a permanência da Quiromancia até à actualidade é interessante registar um livro publicado em 1998 em Portugal, luxuosamente ilustrado, pela Editorial Impala, com o título: A Arte de Ler as Mãos. Trata-se da tradução do inglês: Lori Reid, The Art of Hand Reading, Londres, Dorling Kindersley Limited, 1996. 9. Quanto a Kepler, cita-o uma vez (códice 325, folha 950). Essa citação, porém, não é directa, mas em segunda mão, através do Vocabulário de Bluteau, a propósito das 18 estrelas da constelação da Libra (Balança). É de crer, portanto, que a obra de Kepler também estivesse ausente da livraria de que João Barbosa de Araújo se serviu. 10. Um artigo recente sobre astrolatria e astrologia, desde a Antiguidade, passando pela Idade Média e o Renascimento, encontra-se publicado no Tomo I, p. 285 e segs. do Volume L da Revista Humanitas do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras de Coimbra: "Astrologia: Da Rejeição Patrística à Apologética Medieval", por J. M. da Cruz Pontes. |