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Mensagem de
sua excelência o presidente da república para o VI Congresso Internacional de Lusitanistas Rio de Janeiro Julho de 1999 Mensagem do Senhor Presidente da República alusiva à realização no
Rio de Janeiro do VI Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas É com especial satisfação que saúdo a realização no Rio de Janeiro do VI Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Congratulo-me com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense pela contribuição prestada na organização do encontro. Estou ciente de que a escolha de uma cidade brasileira para sediar este importante congresso é uma homenagem ao transcurso dos 500 Anos da História do Brasil, gesto muito bem-vindo e de grande significado. Tenho insistido sobre a importância de que os 500 Anos constituam um marco nas relações do Brasil com os demais países lusófonos. Minha expectativa é de que a data contribua não apenas para o resgate de nossa história comum, mas sobretudo para a valorização das afinidades que continuam a existir entre nossos povos. As comemorações terão êxito na medida em que permitam a brasileiros, portugueses e a nossos irmãos africanos e asiáticos uma atuação mais coesa na defesa da lusofonia, em suas diferentes manifestações. Isto passa pelo reforço do conhecimento mútuo daquilo que está sendo produzido nas várias partes do mundo lusófono. Daí a importância da Associação Internacional de Lusitanistas, do diálogo que ela tem permitido sobre as culturas de língua portuguesa. Diálogo que se estende além das fronteiras dos países lusófonos, com a participação de intelectuais do mundo hispânico, do Norte da Europa e dos Estados Unidos. A vitalidade das culturas lusófonas parece-me inconteste, inclusive no campo da literatura, como bem demonstra a agenda deste encontro. Estou certo de que os literatos e críticos que aqui se reúnem saberão valorizar com seus textos e apresentações o tributo que justificadamente se presta a Almeida Garrett, Machado de Assis e Castro Soromenho. Desejo associar-me, também, à merecida homenagem que se fará nos próximos dias ao escritor José Saramago, que tanto tem contribuído para a afirmação internacional da língua portuguesa. Recebam os organizadores e participantes do VI Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas meus votos de um amplo e profícuo debate. O mundo lusófono será credor de seus resultados. Fernando Henrique Cardoso
O VI Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas constitui um grande acontecimento da lusofonia e é um importante fator de reforço dos laços entre todos os que falam, estudam e cultivam a língua portuguesa, as culturas e as literaturas que nela se expressam. Realizado neste tempo de passagem para o novo século, é ainda uma boa ocasião para se proceder a um balanço crítico e prospectivo sobre o que se fez e o que não se fez, sobre o que falta fazer e tem de ser feito. Como tenho dito, uma política de língua, activa e de largo alcance, é hoje um instrumento fundamental de afirmação e de projecção no Mundo, em todos os planos, dos nossos países, povos e comunidades. A globalização não pode significar uniformização lingüística e hegemonia cultural. Temos de saber preservar a diversidade, o pluralismo, a variedade como uma riqueza insubstituível e uma marca da condição humana. A língua portuguesa é um património de todos os que a falam e que a enriquecem, diariamente, com a diferença das suas histórias, situações geográficas, visões do Mundo, experiências, características próprias. Ao realizar-se este Congresso no Brasil sublinhamos a relevância, em peso demográfico e em vitalidade cultural, deste grande país, na altura em que vamos comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses, esse acontecimento único das nossas histórias, que hoje analisamos, preferindo o rigor à retórica, o que em nada diminui, antes a lança em bases mais sólidas, a sua projecção nos nossos futuros. Seja-me permitido lembrar, neste momento, o Povo de Timor Leste que faz parte da nossa comunidade lingüística e que espera agora poder, em condições de tranquilidade, segurança, liberdade e paz escolher o seu destino. Quero manifestar a todos vós, reunidos em nome da língua que falamos, a nossa vontade de aprofundarmos os vínculos que fortalecem uma comunidade lingüística viva e forte. Aos que, em Universidades de todos os continentes, fazem do português o objecto do seu trabalho e da sua actividade pedagógica, por vezes, com dificuldades e carências que são conhecidas, testemunho o meu reconhecimento afectuoso. Com uma história riquíssima, falada por duzentos milhões de seres humanos, a nossa língua viu, este ano, um escritor que tanto a tem prestigiado ser distinguido com o Prémio Nobel da Literatura. Ao solicitar a José Saramago que me represente neste Congresso, renovo-lhe a homenagem que sei também ser a vossa e peço-lhe que vos leve a minha calorosa mensagem de saudação a todos os presentes, de felicitações aos organizadores e de confiança no futuro da língua portuguesa como instrumento de comunicação e de criação, como projecto e como comunidade. Lisboa, 30 de julho de 1999
Jorge Sampaio Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT)
Caros Congressistas, Desejo, em nome do Conselho Nacional da Resistência Timorense e em meu próprio, saudar os ilustres congressistas da Associação Nacional de Lusitanistas. Em 1964, na França, esta Associação Internacional foi fundada, tendo como objectivos o reforço da língua e da cooperação entre os seus falantes. Hoje somos duzentos milhões. Nós somos uma Pátria que compartilha convosco quinhentos anos de História e brevemente celebraremos juntos os quinhentos anos do primeiro contacto entre Portugal e o Brasil. Caros Congressistas, Colocado entre dois gigantes, a Austrália e a Indonésia, Timor-Leste é um pequeno território onde a cultura e a língua portuguesas ganharam raízes e contribuíram decisivamente para a construção de uma Identidade Nacional. Durante os vinte e três anos de ocupação por um poderoso inimigo, a Indonésia, a religião católica e a língua portuguesa ajudaram a moldar a resistência tenaz que o meu Povo moveu contra o agressor e ocupante. Ao longo destas décadas de ocupação em que um autêntico genocídio teve lugar – mais de duzentos mil filhos de Timor-Leste foram barbaramente mortos – os resistentes exprimiram-se em português. É oportuno salientar que as primeiras manifestações de Solidariedade para com Timor-Leste falavam em português, abraçavam-nos em português. Permitam-me, ainda, que vos recorde o massacre de Santa Cruz, em que quase três centenas de jovens doaram as suas vidas e o facto de, naquela hora de extrema aflição, murmurarem preces em português. Santa Cruz revelou o carácter irreversível da dinâmica libertadora timorense e foi um verdadeiro ponto de viragem no comportamento da comunidade internacional para com a causa do Povo de Timor-Leste. Foi esta resistência que tornou possível o Acordo de 5 de Maio, em Nova Iorque, no qual, pela primeira vez, a Indonésia reconhece ao Povo de Timor-Leste o direito a escolher o seu próprio futuro. Assim, no dia 30 de Agosto, irá ter lugar a consulta popular e nela teremos a oportunidade de tornarmo-nos no oitavo país de língua portuguesa. Hoje, o Conselho Nacional de Resistência Timorense já tem o estatuto de observador na Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Caros Congressistas, Nestes momentos exaltantes que vivemos, estou convencido que a comunidade lusófono partilhará os múltiplos desafios que o futuro nos coloca. Em primeiro lugar, a reintrodução da língua portuguesa como instrumento de afirmação da nossa identidade e de consolidação do nosso sentimento de pertença a uma comunidade vasta que é aquela que se exprime em português. Nós temos todas as condições para erradicar a pobreza e o subdesenvolvimento. No entanto, o desenvolvimento só será possível numa cultura de paz. Porque entendemos a Paz como o bem mais precioso, encetamos uma política de reconciliação que se alicerça no diálogo e, em particular, com aqueles que colaboraram activamente com o ocupante. Estamos decididamente empenhados em contribuir para a paz e estabilidade na região. Caros Congressistas, Quero terminar destacando o homem de paz e o arquitecto da política de reconciliação que é Xanana Gusmão, o Presidente do Conselho Nacional de Resistência Timorense. Este homem que é também um poeta da língua portuguesa ainda está preso. Conto com a Vossa solidariedade na indispensável libertação de Xanana Gusmão, de modo a que a sua contribuição a causa da paz e da liberdade seja ainda mais vigorosa. Desejo-vos, prezados Congressistas, sucessos neste Congresso. José Ramos-Horta
Vice-Presidente do Conselho Nacional de Resistência Timorense Prêmio Nobel da Paz de 1996 |