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O Regionalismo em Inocência de Taunay
Benilde Justo Caniato
Universidade de São Paulo Introdução O português transplantado, além da concorrência da língua geral, sofreu, ao longo do período colonial, uma deslocação decorrente das condições históricas, sociais e geográficas, determinando um tipo lingüístico diferente, cujas divergências acidentais permitiam reconhecer um aspecto brasileiro da língua portuguesa. Com o tempo foi ganhando diversidade devido ao contato com as línguas africanas e com as línguas européias, estas provenientes da imigração. Até o século XVIII havia o seguinte panorama lingüístico no Brasil: 1. o português falado no litoral por brancos e seus descendentes sobretudo, apresentando-se com aspectos de notável unidade; 2. um crioulo ou semi-crioulo, ou seja, o uso simplificado do português por mestiços, índios e negros; 3. a língua geral, falada por índios aculturados, por mamelucos e brancos em suas relações com o gentio; morfologicamente reduzida, sem declinação nem conjugação. (Silva Neto, 1950: 57-59) A influência da língua geral1 foi grande durante os primeiros cem anos. Gramaticalizada por Anchieta (Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil, 1595), e mais tarde pelo Padre Luís Figueira (1621), em virtude de sua simplicidade foi usada pelos padres como língua missionária.2 Os colonizadores também procuravam conhecê-la. Com o passar dos anos de colonização, com o aumento de imigrantes portugueses, a partir das descobertas das minas, e de escravos africanos, dilui-se o elemento indígena, e a língua geral se vai limitando a povoações do interior e aldeamentos dos jesuítas. O ensino da língua portuguesa se iniciou quando, por Carta Régia de 1727, D. João V determina que os jesuítas ministrassem português aos índios nas escolas, eliminando a língua geral. Mas o português se restringia somente à alfabetização, passando depois para a gramática latina do padre Manuel Álvares3. Posteriormente, o método alvarístico foi desaconselhado por Luís António Verney, impondo-se desde aí o ensino da língua portuguesa. Em 1770, por Alvará Régio, Pombal adota oficialmente a Gramática Portuguesa de Antônio dos Reis Lobato, em cuja "Introdução" se destaca a necessidade de uma gramática para se falar sem erros e para saberem os fundamentos da língua que se fala usualmente. A partir de 1808, com a chegada da corte portuguesa, a emigração para as cidades se acentua, incrementando-se a cultura urbana, principalmente a do Rio de Janeiro4. A oposição entre litoral e interior se nota lingüisticamente entre o falar da cidade constituída de brancos e mestiços, e o falar crioulizado da plebe, constituída de descendentes de índios, negros e mestiços da periferia. Até princípios do século XIX, os escritores brasileiros estribavam-se no modelo europeu. Seguiam-lhe as normas gramaticais, procuravam manter unificada a língua culta, aumentando, assim, a distância entre a linguagem oral e a escrita. Para diminuir esta distância, tentar-se-á a formação de uma literatura brasileira em que se conciliariam a temática e a forma expressional. Inocência O movimento romântico no Brasil teve grande repercussão no mundo das letras. O nacionalismo assume lugar preponderante, tendo como desdobramentos temáticos o indianismo e o regionalismo. Procurando ajustar-se a tais temas, os escritores exploravam, além dos primitivos habitantes, quando isolados ou em contato com o homem branco, também os habitantes rústicos, que não estivessem sob influência das cidades. Para expressá-los literariamente, era necessário criar uma linguagem que se adequasse às falas e atitudes das personagens. Quando se tratava de temas indígenas, tudo era novo, portanto era mais simples criar fantasiosamente, não se tendo problemas com o real. Mas, quando se tratava de temas regionais, a dificuldade estava em registrar língua e costumes que fossem próximos dos da vida urbana. Isto levava o escritor a uma certa ambigüidade, oscilando entre a fantasia e o real, tornando irreais as descrições das situações narrativas. (A. Candido [s.d.]:115-16) A 1ª obra romântica Suspiros Poéticos e Saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães, teve grande repercussão no mundo das letras. O poeta-diplomata refere-se, no prefácio, a conquistas no campo lingüístico, mencionando encontrarem-se na obra palavras que não figuravam nos dicionários. A tendência era já, nessa altura, de renovação, buscando-se aproximar a língua literária da coloquial. Vale lembrar que até meados do século XIX, a cultura brasileira destacava-se por fortes traços de oralidade, com poucas escolas, bibliotecas, editoras5 . Dentre os escritores românticos, que exerceram grande influência com suas obras de temática brasileira, destacam-se primeiramente Alencar e Gonçalves Dias. A natureza brasileira, um dos símbolos românticos, passa a ser evocada e compreendida, como uma das formas de construção nacional. A consciência de uma realidade interiorana, em oposição à do litoral, isto é, da cidade letrada, procura valorizar o que é tipicamente brasileiro, nascendo, assim, as várias formas do sertanismo, uma prosa híbrida, na qual se contam exemplos de fala regional. Taunay (1843-99), engenheiro militar e pintor, publicou Inocência em 1872, revelando cenário e costumes do sertão brasileiro, região onde se confluem as então províncias de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. O sertanejo, pequeno proprietário, constitui o grupo social do romance que se desenvolve em 30 capítulos e um epílogo. Destacam-se como código lingüístico as 124 notas de rodapé do autor. Com mais de 30 edições, Inocência foi publicada em várias línguas (francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, croata, sueco, dinamarquês, polaco, flamengo, japonês), e sua história foi adaptada para o teatro e cinema. A intriga destaca os hábitos daquela região do centro-oeste brasileiro, em que a autoridade paterna e a reclusão da mulher devem vigorar como lei a ser cumprida com rigor. O conflito de sentimentos e de razões morais vai então se estabelecer pelo encontro de dois modos de vida: o do homem da cidade, e o do homem do sertão, aquele ameaçando a ordem deste. As figuras, tipos ideais, são ditadas pelo convencionalismo romântico: Cirino, o apaixonado da cidade; Inocência, a cabocla autêntica; Pereira, o pai autoritário do sertão; Manecão, o sertanejo rude; Meyer, o cientista alemão que coleciona borboletas. No primeiro capítulo o autor descreve o sertão bruto onde nenhum teto habitado ou em ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante. O sertanejo demanda por aqueles capões, saudando alegremente os formosos coqueirais, cuja ninfa lhe há-de estancar a sede e banhar o afogueado rosto. Valendo-se de sua vivência e observações na região, onde viveu por algum tempo, Taunay descreve paisagens e acontecimentos do sertanejo Pereira, mineiro das Gerais, nascido no Paraibuna, criado na Mata do Rio, batizado em Vassouras, tendo andado ceca e meca pelo sertão brasileiro. Confronta-se com Meyer, homem da cidade, naturalista alemão, que se dirige a Inocência de forma galanteadora, permitindo que se mascare a situação verdadeira, o interesse de Cirino pela jovem. Documentando com objetividade a linguagem da região de Sant’Ana de Paranaíba, Taunay integra personagens e suas falas nos cerrados, onde esteve por algum tempo como engenheiro militar, durante a Guerra do Paraguai. Seus regionalismos resultam, pois, de observação pessoal e direta do sertão e do sertanejo, integrada na sua vivida experiência de homem e militar. A oralidade, a seduzir um público leitor diminuto, naquela altura, será um dos traços significativos de Inocência. Procurando legitimar termos e construções sintáticas brasileiras, o autor recorre a formas alteradas e transformadas do português do Brasil, de forma a registrar documentalmente a realidade brasileira. Por meio de notas de rodapé, colocadas no final da página, como uma espécie de metalinguagem, explicita termos e hábitos peculiares do sertão, ou construções sintáticas, que fogem à norma culta gramatical. Tais comentários discursivos confirmam o discurso ficcional, tornando-o mais verossímil, o que permite ao leitor melhor entendimento da narrativa. Formam uma espécie de texto documental, paralelo ao literário. Esse outro narrador, que chamaremos de "documentarista", assume um tom didático na narrativa. Confiram-se os seguintes exemplos: - Mapiar – Termo peculiar aos sertões de Mato Grosso– quer dizer parolar, tagarelar.(nota 13); - luxúria – Superfluidades de luxo. (nota 19); - para mim atalhá-la de pronto, – É este erro comum no interior de todo o Brasil, sobretudo na província de São Paulo, onde pessoas até ilustradas nele incorrem com freqüência. (nota 46) - lavrados – chamam-se ‘lavrados’ na província de Mato Grosso colares de contas de ouro e adornos de ouro e prata. (nota 58) - mateiro – veado do mato. (nota 63) - currupira ou curupira – ser imaginário que, segundo a crença popular, é índio habitante das matas, tendo o calcanhar para diante e os dedos para trás. (nota 71) - boitatá – outro personagem de nossas crendices; é um touro furioso que bota fogo pelas ventas e queima tudo; cobra-de-fogo. ( nota 72) Fora da trama, as notas de rodapé guiam o leitor para uma melhor inteligibilidade do texto. Algumas vezes o narrador refere-se a pessoas conhecidas em suas andanças pelo sertão. Confiram-se as notas 110 e 129:6 cem mil-réis – é o preço por que um curandeiro queria curar um empalamado7, por cuja fazendola passamos em julho de 1867, nesse mesmo sertão de Sant’Ana. Esse coletor, de que fala Pereira e cuja alma, no dizer dos sertanejos, vagando pelas solidões de Sant’Ana, era um empregado público, que foi processado e preso depois de provada a concussão praticada no exercício das suas funções. Faleceu na prisão, e, como o Estado lhe seqüestrou os bens, caíram em abandono a excelente casa e fazenda que formara a umas trinta léguas da vila8. O charlatão terapeuta, auto-intitulado médico, é figura dos sertões. No capítulo III, Taunay dedica-se a Cirino, que, de simples caixeiro numa botica velha e manhosa, passou a médico. Criou prática de receitar, agarrou-se a um Chernoviz, seu inseparável vademecum, viajando pelos sertões mendicando, sangrando, retalhando. Simples curandeiro foi, pouco a pouco, granjeando o tratamento de doutor. Em Saint-Hilaire, naturalista francês que esteve no Brasil na primeira metade do século XIX, encontra-se esse tipo, assim descrito: Entre eles, um cirurgião que se apressou em me dar a conhecer seus títulos tomando ares de importância que pareciam dizer: ‘Senhores, respeitem-me’. Cada qual se apressou em consultá-lo e entre outros um moço que o comandante de Rio Preto pediu-me que levasse a Barbacena e sofre de não sei que doença de pele. O honrado cirurgião disse-lhe que lhe ia dar um remédio. No dia seguinte estaria são. Misturou efetivamente pólvora ao sumo do algodão. Com semelhante droga esfregou as partes enfermas a que benzeu depois, mandando o paciente deitar-se, e assegurou-se o êxito de sua medicação. (1974: 29) As digressões do narrador fazem-se necessárias para elucidar termos regionais, desenvolver observações necessárias, que, numa demonstração de sua onipotência, aprofundam os traços polifônicos da narrativa. São, antes de tudo, notações lingüísticas, observações pessoais sobre a realidade, a respeito das personagens ou das paisagens, buscando documentar com fidelidade o que narra e imprimir-lhe cor local. Por vezes, o narrador se insere no texto formulando comentários, atitude que já antecipa a dos escritores realistas. Utilizando-se da 1ª pessoa do plural (observamos, diremos), acaba por envolver o leitor para não deixar dúvidas quanto à verossimilhança. Confira-se este fragmento sobre a figura de Meyer, o naturalista: Devia ser homem bastante alto e esquio e, como observamos, apesar da hora adiantada da noite, com olhos de romancista, diremos desde já que tinha rosto redondo, juvenil, olhos gázeos, esbugalhados, nariz pequeno e arrebitado, barbas compridas, escorrido bigode e cabelos muito louros. (p. 43) Regionalismos Registram-se, a seguir, brasileirismos, ou seja, alguns termos indígenas ou acerca da natureza, e também algumas construções sintáticas:9 -capões - mato isolado, da língua geral caá-puán (nota 4); do tupi kaa’pa~u, pequeno bosque insulado num descampado (A.G.Cunha). -araraúnas – araras pretas (nota 6); o mesmo que arara, nome comum a diversas aves de grande porte, do tupi a’rara (A.G.Cunha). -caipora (p.22) – do tupi kaa’pora ka’a, mato, + pora, habitante (A.G.Cunha). -pantano - no interior é comum a pronúncia grave, conforme a etimologia (nota 9). -Vassuncê (p. 17), vosmecê (p.24), mecê (p. 33 e 95) – formas usadas no sertão em lugar de vossemecê, abreviação de vossa mercê . -tapera – casa velha e abandonada (nota 18); aldeia indígena abandonada, habitação em ruínas, do tupi ta’ pera , taua, taba, + puera, que foi (A.G.Cunha). -circunstância (senhora de) – importância (nota 25); "de circunstância", brasileirismo, significando importante, grave, ponderoso (Aurélio). -tutu – pessoa de mais consideração e que pode tudo. Pereira fala do Major Martinho de Melo Taques, o qual morava com efeito na vila de Sant’Ana do Paranaíba e gozava de merecida influência (nota 26); na gíria brasileira "tutu" significa dinheiro (Aurélio). -mato (gente doente é) – isto é: há em abundância (nota 29); ainda hoje se usa com esse significado, conforme registra o Aurélio: ser mato, existir em abundância (bras.) -coco ( Mas é coco grosso) – dinheiro (nota 31); o Aurélio registra como brasileirismo, isto é, muio dinheiro, dinheirama. -grão soboró – grão falhado (nota 42); Caldas Aulete registra como brasileirismo, significando chocho, falhado; não consta do Aurélio. -fundões – sertões (nota 49). -carandá – palmeira muito parecida com a carnaúba, se não for a mesma (nota 60); do tupi kara’na (A.G. Cunha). -limão cascado – por limão descascado, forma usada em Mato Grosso (nota 76). -emboabas – portugueses (nota 80); alcunha que, no Brasil colonial, particularmente na região das minas, foi dada pelos bandeirantes aos portugueses e forasteiros em geral; de origem tupi, mas de étimo controverso (A.G.Cunha). -cangueiros – sem préstimo (nota 86); bras. que remancha no trabalho, preguiçoso, remanchador (Aurélio) -pinóia – homem fraco (nota 99); bras. de Mato Grosso, pessoa fraca, sem préstimo ( Aurélio). -calaboca – em Minas assim chamam um cacete curto e grosso (nota 105). -assuntar – não perceber (nota 117). -macauã – espécie de gavião (nota 118). -noitibó – pássaro da noite (nota 119); também bacurau (Aurélio). -jururu – (p. 121) melancólico, tristonho, do tupi, mas de étimo indeterminado (A.G.Cunha). -chicolate – café com leite e ovos batidos (nota 138). -guampo – vasilha feita de chifre para tirar água; chama-se lavrado quando tem desenhos de lavor (nota 140). Observam-se também as corruptelas: -rejume por regime (p.52, nota 78). -pirlas por pílulas (p. 71, nota 96). -defronte por diferente (p.86, nota 112). -ansim por assim (p.97). -sudutor por sedutor (p. 103). -corguinho por corregozinho (p. 112, nota 126). Construções sintáticas: -mas porém (p.22) – redundância da conjunção, para enfatizar mudança da seqüência anterior. -para mim atalhá-la de pronto (p.33, nota 46); para mim tomar (p. 97); para mim cobrar (p. 119) – construção comum no interior, principalmente na província de São Paulo. -havera por força (p. 66) ; havera de curar (p. 86); me havera de perder (p. 97); que havera de ser? (p. 113) – por houvera, forma do mais que perfeito, comum no interior. -Eu lhe vi apenas pouco tempo (p. 96) – construção da linguagem coloquial de certas classes sociais, hoje vulgarizada em canções populares. -tomara ver o cujo chegado (p.93); Este cujo é o cirurgião? (p. 121); O cujo foi quem a mandou [...] (p. 141) – forma substantivada do pronome relativo, que é usada ainda hoje em certas regiões do interior, na linguagem coloquial. -Pois é aí que padrinho pára... (p. 114, nota 128) – por padrinho mora, hospeda-se, brasileirismo muito usado em algumas regiões do interior. A novidade de Inocência provém de vários fatores. Um deles é o de registrar, através de termos e construções da região central do Brasil, variações lingüísticas, principalmente nas formas dos diálogos espontâneos e vivos a pontuarem a narrativa10. Outro será o da oposição entre as personagens centrais: a analfabeta interiorana e o alfabetizado da cidade. Pereira chega a arrenegar a menina da cidade que saiba ler livros de letra de forma e garatujar no papel..[...] Cá no meu modo de pensar, entendo que não se maltratem as coitadinhas, mas também é preciso não dar asas às formigas... (p. 36) Tendo sido desrespeitado o código do sertão, elimina-se o casal amoroso. Cirino e Inocência não podiam sobreviver. Referências Bibliográficas ALENCAR, Heron de. "José de Alencar e a ficção romântica". Em A Literatura no Brasil. (dir. de Afrânio Coutinho). 2ª ed. Rio de Janeiro, Sul Americana, v.2, 1968, p.217-300. AULETE, Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. 2 ed. brasileira. Rio de Janeiro, Delta, 1964. BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo, Cultrix, 1972. CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. 4ª ed. São Paulo, Martins [1971]. CUNHA, A.G. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 2 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Básico da Língua Portuguesa. São Paulo, Nova Fronteira/Folha de S. Paulo, 1998. LAJOLO, Marisa. "Oralidade, um passaporte para a cidadania literária brasileira". Em Língua e cidadania (org.de Eduardo Guimarães e Eni Orlandi). Campinas, Pontes, 1996, p. 107-123. MATTOSO CÂMARA Jr., J. Introdução às Línguas Indígenas Brasileiras. 2 ed. rev. Rio de Janeiro, Acadêmica, 1965. PRETI, Dino. Sociolingüística – os níveis da fala. 6ª ed. São Paulo, Nacional,1987. RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas brasileiras. São Paulo, Loyola, 1994. SAINT-HILAIRE, Auguste de. Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo (1822). Belo Horizonte/São Paulo, Itatiaia/Edusp, 1974. SILVA NETO, Serafim. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1950. TAUNAY, Visconde de. Inocência. 26ª ed. São Paulo, Ática, 1988. Notas 1. O termo "língua geral", usado por portugueses e espanhóis, qualificou, inicialmente, as línguas indígenas de grande difusão numa área. Assim o quêchua foi a Língua Geral do Peru. No Brasil, a língua dos tupinambás, o tupi antigo, falada por grande extensão, chamou-se Língua do Brasil, Língua da Terra, Língua do Mar, no século XVI. Somente no século XVII é que se firmou como Língua Brasílica. O nome Língua Geral só começou a ser usado na segunda metade do século XVII. Havia a Língua Geral do Sul ou Língua Geral Paulista e a Língua Geral do Norte ou Língua Geral Amazônica. ( Aryon Dall'Igna Rodrigues, 1994: 99-100) A língua geral deve ser entendida aqui como língua franca, isto é, uma língua que tinha como objetivo a comunicação dos colonizadores e missionários com os indígenas, portanto, uma língua com propósitos utilitários, de intercurso mais prático. 2. A gramática da língua geral teve como modelo a estrutura da língua latina, porque esta era o modelo das línguas ditas dos civilizados, o que resultou uma gramática de uma língua indígena mais aperfeiçoada, mais disciplinada. Foi essa a língua usada na catequese. (Mattoso Câmara, 1965: 102) 3. Em 1819, o viajante naturalista Saint- Hilaire registra a presença de um professor de Gramática Latina, pago pelo governo, em Meia-Ponte, arraial da província de Goiás. (1974: 37) 4. O séquito da família real compunha-se de quinze mil pessoas, número bastante expressivo para a época. 5. A imprensa só surgiu com a chegada de D. João VI, em maio de 1808, sendo o primeiro jornal, Gazeta do Rio de Janeiro, de setembro do mesmo ano. 6. Ao lado das 124 notas de rodapé, de responsabilidade do autor, há mais 18 notas do editor. 7. Empalamado é brasileirismo, significando pálido, anêmico. 8. Saint-Hilaire em seu livro Viagem à Província de Goiás refere-se a casas tomadas pelo fisco e que a Fazenda Real acabava por deixá-las em ruínas.(1974: 60) Outras foram abandonadas pelos mineradores depois de terem tirado da terra todo o ouro que podia ser extraído facilmente, quando a extração se tornou mais complexa, como no arraial de Santa Luzia. (p. 26) 9. As notas em rodapé são do autor. Quando mencionamos somente as páginas, os termos aparecem no texto ficcional em itálico, e as informações que anotamos são de dicionários etimológicos. 10. Dino Preti chama de diálogos miméticos. (1987: 126) |